Zizi Possi: antes de fazer sucesso no Brasil, cantora morou na Boca do Rio, em Salvador

A cantora Zizi Possi que se apresenta ao lado de sua filha Luiza Possi dia 1 de maio, às 20h, no Teatro Castro Alves, tem uma grande ligação com a Bahia. Nos distantes anos de 1970 quando artistas e celebridades de todo o mundo (Mick Jagger, Jack Nicholson, Janis Joplin) vinham para Salvador e Arembepe na famosa aldeia Hippie, uma paulista descendente de italianos também resolveu conhecer a magia e os encantos da chamada terra da felicidade. Seu nome de batismo: Maria Izildinha Possi

O que ela não imaginava é que a Bahia em especial Salvador e mais ainda o bairro da Boca do Rio, onde viveu um tempo com o irmão José Possi Neto (hoje um famoso diretor teatral) lhe dariam régua e compasso para ela se transformar, anos depois, em Zizi Possi, uma das grandes vozes do Brasil. E foi através de um especial gravado na TV Aratu (então afiliada da Rede Globo) que ela foi convidada a gravar seu primeiro disco: Flor do Mal em 1978.

Aqui, ela se relacionou com uma turma atores e cantores que movimentava a cena cultural da cidade nas revolucionárias Escolas de Música, Teatro e Dança da UFBA. Eram tempos de muita ação e criatividade que a marcaram até hoje.

Zizi Possi aos 18 anos quando morava na Boca do Rio (Foto: acervo pessoal da cantora)

Em conversa com o Baú do Marrom, Zizi lembrou desses tempos, falou do sentimento que nutre pala cidade, dos amigos que aqui deixou e comentou:

“Foi um momento muito abençoado da minha vida. Os primeiros espetáculos que fiz aconteceram em Salvador, tanto os amadores como os que foram um pouquinho mais profissionais. Então, a minha escola é a Bahia”.

Baú do Marrom – Paulista de nascimento, você morou um tempo em Salvador no mesmo tempo em que seu irmão, o diretor teatral Possi Neto. Poderia dizer que a Bahia lhe deu régua e compasso em sua carreira artística?

Zizi Possi: Eu posso sim dizer que a Bahia me deu régua e compasso, porque deu mesmo. Foi onde eu aprendi a conjugar o mundo erudito com o mundo popular. Foi o momento em que houve essa fusão muito forte na minha vida, na minha pessoa e na minha musicalidade. Então a Bahia, sim, me deu régua e compasso, a escola de música da UFBA me deu régua e compasso.

Baú do Marrom: Talvez essa nova geração não saiba dessa sua passagem por aqui. Você poderia falar um pouco sobre essa época e onde você morou?

Zizi Possi: Fui para Salvador com 17 anos e prestei vestibular para Universidade Federal da Bahia, para escola de música, entrei e fui cursar composição e regência. Fiquei durante 2 anos e um pouquinho, porque na época eu tinha hormônio demais para ficar 8 horas por dia em uma escola, mas foi um momento extremamente importante para mim, eu convivi com grandes professores de música. Sou da época do Ernst Widmer, Lindembergue Cardoso e do Jamary Oliveira e de tanta gente tão maravilhosa. Foi um momento muito abençoado da minha vida. Os primeiros espetáculos que fiz aconteceram em Salvador, tanto os amadores como os que foram um pouquinho mais profissionais. Então, a minha escola é a Bahia.

Baú do Marrom: Que lembranças você guarda de Salvador e dos amigos, Você ainda mantém contato com eles, a exemplo de Carlos Borges, que mora nos Estados Unidos e foi quem lhe apresentou a Roberto Menescal quando você gravou seu disco de estreia?

Zizi Possi – Os meus amigos da época de Salvador eu guardo muito no coração. A pessoa que eu tenho mais contato é com a Vanja Freitas que está morando no Rio de Janeiro. O Carlinhos Borges eu estive com ele em 1993, nos Estados Unidos e depois a gente não se falou mais. Na verdade, quem apresentou o meu trabalho para um Menescal foi um especial que eu gravei com ele, com o Carlinhos Borges e foi aí que tudo começou. Uma das coisas que eu mais gosto quando eu volto para a Bahia é poder ver algumas pessoas que estão muito no meu coração, como o Deolindo, tenho até medo de falar nomes, porque eu posso esquecer alguém e isso seria uma grande injustiça.

Baú do Marrom: Desde que você foi embora quantas vezes voltou a Salvador e o que mudou de sua época para cá?

Zizi Possi: Desde que eu fui embora até agora eu não tenho dedos pra contar quantas vezes eu voltei para a Bahia. Muita coisa mudou. Logo nos primeiros anos eu ficava muito emotiva, porque a Boca do Rio, lugar onde passei mais o tempo, estava mudando completamente, todas as praias tinham uma outra cara e cidade também, enfim, estamos falando de praticamente 40 anos atrás, então é muito tempo. Muita coisa aconteceu e que bom que as coisas vão crescendo.

Baú do Marrom: Qual a sensação de voltar a Salvador e cantar no Teatro Castro Alves com sua filha, Luiza?

Zizi Possi: Voltar para o Teatro Castro Alves é sempre extremamente emocionante para mim, por tudo que ele significa, por tudo que ele significou na minha vida e por tudo o que a Bahia é para mim. É sempre muito tocante e voltar com a minha filha, imagina, saí daqui eu não tinha nem casado e não tinha filha, e agora eu volto com a minha filha cantando junto comigo. É um momento em que eu estou vivendo uma outra situação na minha vida, que também é muito abençoado, que são os meus dois netos que eu amo de paixão. Poder estar no palco com a minha filha é extremamente gratificante, vai ser muito emocionante. Espero todo mundo lá.

Correio 24hs

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