Uma bala no caminho de dona Maria

Na mesma semana em que Cristal Pacheco foi cruelmente morta numa tentativa de assalto, Maria de Lourdes também perdeu a sua vida durante a sua caminhada matinal. Uma bala perdida, oriunda de um confronto entre policiais e homens armados, em plena Avenida Barros Reis. Ao contrário da estudante de 15 anos, morta no local, a aposentada de 65 anos chegou a ser socorrida e receber cuidados médicos, que se revelaram insuficientes para reverter a situação.
No lugar da caminhada em busca de saúde e qualidade de vida, familiares e amigos de Maria de Lourdes Alves dos Santos foram obrigados a conduzir, sob forte comoção, o caixão da aposentada até a sepultura, no Cemitério do Campo Santo. O sentimento de quem perde um ente querido assim pode ser resumido nas palavras de uma das filhas da vítima de uma situação que o baiano assistia pela TV, em notícias sobre o Rio de Janeiro, mas que estão cada vez mais próximas de nós. “Roubaram ela da gente, não é justo isso”, desabafou.
(Foto: Arisson M..

Ataque às urnas surte efeito contrário

Se o presidente Jair Bolsonaro (PL) realmente acreditava que ao promover um encontro com diversos representantes diplomáticos de vários países poderia ajuda-lo em sua cruzada contra as urnas eletrônicas, o encontro da última segunda-feira (18) pode ser considerado um fiasco.
Países como Estados Unidos e Inglaterra fizeram questão de reforçar a confiança no sistema eleitoral brasileiro. Além disso, provocada por partidos de oposição, a Justiça Eleitoral deu prazo de cinco dias para o chefe do Executivo se explicar sobre o assunto.
Pré-candidato à reeleição, Bolsonaro usou o Palácio da Alvorada e a estrutura do governo para organizar uma apresentação em que repetiu acusações já desmentidas por órgãos oficiais sobre as eleições de 2018 e a segurança das urnas eletrônicas.
Ele também aproveitou o evento para atacar o principal adversário, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que teve a sua candidatura oficializada à Presidência na última quinta-feira (21). Os ministros Edso..

Defesa de ditadura é uma vergonha para o Brasil

A ditadura militar foi o período mais sangrento, vergonhoso e nojento da história recente do Brasil. Isto está evidenciado em documentos, depoimentos, memórias e lápides. Celebrar o golpe ocorrido em 31 de março de 1964 é uma afronta à Constituição e à população. A ditadura proibiu eleições diretas, perseguiu e torturou opositores e decretou censura à imprensa.
No último dia 30, o Ministério da Defesa publicou uma ordem do dia celebrando o golpe de estado, em que qualifica a ação como um “movimento” e um “marco histórico da evolução política brasileira”. O documento também diz que o golpe agiu para “restabelecer a ordem e para impedir que um regime totalitário fosse implantado no Brasil”, ainda que não haja nenhuma evidência histórica para sustentar tal afirmação.
A ordem do dia às vésperas do aniversário do golpe do dia 31 de março é uma tradição mantida desde o início do governo do presidente Jair Bolsonaro, em 2019. O texto foi assinado pelo ministro da Defesa, Walter Braga Netto, ..

Inflação e desemprego aumentam endividamento

As consequências da alta inflação, da alta taxa de juros e do número de desempregados no país são cada vez maiores. Na Bahia, 4.138.037 pessoas estão com o nome sujo, o que representa 37% da população. São mais de 12 milhões de pendências que somam cerca de R$ 12 bilhões. Apesar disso, estado ocupa apenas o 22º lugar no ranking dos mais endividados do país, liderado pelo Amazonas que possui mais de metade de sua população (52,80%) endividada.
Os dados são de janeiro deste ano e foram fornecidos pelo Serasa. De acordo com o órgão, os principais causadores das dívidas baianas são bancos e cartões, com 28%, utilidades (contas básicas, como luz, água e gás), com 25%, e varejo (19%).
A especialista do Serasa, Patrícia Camillo, explica porque os bancos e cartões são os campeões do ranking. “O cartão de crédito é um mecanismo muito usado pelos brasileiros. Além disso, ele tem um dos juros mais altos do mercado. A partir do momento em que a pessoa contrai uma dívida em cartão, mesmo que in..

Transporte público em crise e a população no prejuízo

Desde segunda (14), o transporte rodoviário metropolitano viu sua crise aumentar. Isso porque, nesse dia, nenhum ônibus da empresa BTM, que cobre Salvador, Lauro de Freitas e Camaçari, saiu da garagem. De acordo com os rodoviários, ao chegarem ao trabalho, notaram 10 veículos a menos e todos estavam sem combustível. Sem ônibus, o metrô de Salvador teve um grande aumento no movimento.
Segundo o Sindicato dos Rodoviários da Região Metropolitana de Salvador (Sindmetro), o dono da empresa não deu satisfação aos trabalhadores, que não receberam os salários de fevereiro. Desde segunda, a BTM não funciona. A Agerba diz que já está em fase de contratação de uma nova empresa para assumir as atividades.
Na quinta (17), os rodoviários das demais empresas pararam como forma de protesto contra a atual situação de crise do transporte metropolitano. De acordo com o Sindmetro, 11 empresas faziam o transporte antes da pandemia. Agora, só seis. Antes da BTM, a última a parar foi a VSA, em janeiro dest..