Suspeitos de executar promotor paraguaio em lua de mel são presos na Colômbia

O presidente da Colômbia, Iván Duque, anunciou na sexta-feira, 3, a captura de "todos os envolvidos" na morte do promotor paraguaio Marcelo Pecci – conhecido por sua luta contra o crime organizado -, ocorrida em 10 de maio durante uma viagem de lua de mel ao país. O anúncio foi feito por vídeo, de Washington, onde Duque está em viagem oficial.

"Em uma operação conjunta entre a Polícia Nacional da Colômbia, a Procuradoria-Geral da Nação e autoridades paraguaias, capturamos todos os suspeitos, incluindo o autor do assassinato do promotor Marcelo Pecci", disse Duque. "Foi uma operação de inteligência, um trabalho meticuloso que nos permitiu chegar a essa estrutura criminosa."

O procurador-geral colombiano, Francisco Barbosa, informou no Twitter que cinco pessoas foram capturadas ontem em Medellín como parte das investigações sobre o assassinato de Pecci. Os detidos, segundo ele, serão colocados à disposição da Justiça.

Segundo informações do jornal El Tiempo, os detidos são três colombianos e dois venezuelanos, um acusado de atirar três vezes em Pecci e outro de pilotar o jet ski com o qual chegaram à Ilha Baru, próxima de Cartagena de Índias. Segundo as investigações, os cinco teriam se reunido em Envigado e Medellín, no final de abril, para planejar o crime que foi ordenado no Paraguai.

Ligações
Aparentemente, os detidos fazem parte de uma organização criminosa de Antioquia e os investigadores estão tentando determinar se eles têm ligações com o grupo Oficina ou com o Clã do Golfo. Dois dos suspeitos – mãe e filho – se hospedaram no mesmo hotel de Pecci e teriam avisado os mercenários sobre o momento em que ele estava na praia.

Pecci, de 45 anos, havia se casado em 30 de abril com a jornalista Claudia Aguilera. Ele havia anunciado no Instagram que seriam pais pouco antes do ataque. O melhor presente de casamento é a vida aproximando você do mais belo testemunho de amor", dizia a mensagem.

O assassinato comoveu a sociedade paraguaia. Ontem, Duque ressaltou que há "provas importantes e sólidas" para acusar os suspeitos e todos os que participaram do crime "terão o que merecem".

Perda
O diretor-geral da Polícia Nacional da Colômbia, Jorge Luis Vargas, disse que a morte de Pecci foi "um golpe na luta global contra o terrorismo internacional e contra o tráfico de drogas no mundo inteiro".

Especializado em crime organizado, tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e financiamento do terrorismo, Pecci havia investigado o Primeiro Comando da Capital (PCC) – com presença no Paraguai – e Comando Vermelho (CV), além de libaneses envolvidos com lavagem de dinheiro na Tríplice Fronteira com Brasil e Argentina Três destes últimos foram condenados à extradição para os EUA, acusados de injetar capital no movimento armado xiita Hezbollah.

Em seu país, ele participou da investigação "A Ultranza PY" contra o tráfico de drogas do Paraguai para a Europa.

Ronaldinho
Ele também foi responsável por casos de forte repercussão na mídia, como o sequestro e assassinato, em 2005, de Cecilia Cubas, filha do ex-presidente paraguaio Raúl Cubas (1998-1999), e a acusação, em 2020, do craque brasileiro Ronaldinho Gaúcho, detido em Assunção por falsificação de passaporte paraguaio.

A unidade antidrogas de Pecci foi criada em 2007 para investigar crimes relacionados às drogas. Ele era membro da Rede Ibero-Americana de Procuradores Antidrogas, formada por promotores de justiça de 20 países.

O presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez, agradeceu ao governo Duque pela prisão dos suspeitos. "Agradecemos o compromisso dos órgãos do Estado colombiano", escreveu Abdo no Twitter. "A investigação sobre a trágica morte de Marcelo Pecci, em que policiais e promotores de ambos os países trabalham em cooperação, avança com a captura dos suspeitos de sua morte." (Com agências internacionais)

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Correio 24hs

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