Restaurante peruano na Barra tem ambiente simples, mas entrega comida honesta

Tecidos de origem peruana cobrem as mesas do restaurante

Enquanto Giovana Gallardo se divide entre o atendimento aos clientes e o preparo dos pratos, a pequena Catarina dorme tranquila numa redinha improvisada no canto da cozinha. Vez por outra, o sorridente bebê, de apenas quatro meses, solicita o peito da mãe que, sem cerimônias e cheia de orgulho da cria, pede desculpas à freguesia para ir lá dentro atender a sua cliente VIP. Não raro, frequentadores da casa que acompanharam a gravidez da cozinheira peruana que imigrou para o Brasil há seis anos e que há um ano vive na Bahia, tomam para si os cuidados com a carismática garotinha para que a proprietária do pequeno restaurante possa trabalhar.

Giovana e a pequena Catarina: sua cliente mais VIP

Este é o clima de O Peruano, espaço que Giovana define como Cevicheria, Frutos do Mar e Cozinha Tradicional, e que fica localizado numa rua meio escondida da Barra, improvisado no térreo de um antigo prédio residencial. Nada de luxo ou requinte no ambiente onde cabem apenas oito mesas. Metade delas instaladas num estreito corredor da área externa. A playlist tocada no pequeno aparelho de som, que fica escondido atrás da porta de entrada, privilegia os artistas do país da proprietária e compõe o clima andino, juntamente com as toalhas de tecido colorido trazidas do Peru, que cobrem as mesas. Sobre estas, outras de plástico transparente que as protege de sujeiras.

Pisco em duas versões: tradicional e o chincha

Para quem é exigente nos requintes à mesa, pode estranhar a falta de firulas, mas os que apreciam a culinária daquele país, celebrada no mundo inteiro, pode se surpreender com as iguarias preparadas pela cozinheira nascida na pequena província de Cajamarca, no norte do Peru. O que falta na “finesse” da decoração é compensado na beleza da apresentação dos pratos, quase sempre frescos e coloridos.

Arroz de mariscos

Filha caçula de nove irmãos, Giovana conta que aprendeu com a mãe e um de suas irmãs mais velhas, os truques da cozinha andina que é famosa pela variedade gigantesca de ingredientes, alguns destes, existentes apenas por lá. Muitos não são encontrados aqui, daí a cozinheira ter que recorrer sempre à sua família, que costuma visita-la, para trazê-los em suas viagens. É o caso das pimentas Ají Amarelo e Ají Panca; canchita (milho que acompanha o ceviche tradicional servido na casa com peixes brancos fresquíssimos); e a chincha morada, aquele milho roxo que é muito usado para sucos e drinques, como o delicioso Pisco Chincha, um parente próximo do tradicional Pisco Sour, drinque oficial do Peru e que é um dos carros-chefes da carta de bebidas da casa.

Ceviche de peixe branco com batata e chips de banana

Quando algum destes produtos essenciais falta, a cozinheira vai testando ingredientes locais para substituí-los, mas nem sempre dá certo, daí que ela vem pesquisando fornecedores em São Paulo, para garantir o estoque da despensa. Como ainda é pequena (como empreendedora), às vezes esbarra em algumas dificuldades na “importação”. Mas nada desanima a peruana que diz ter encontrado em Salvador o que procurava fora do seu país. “Ingredientes frescos, como os peixes e mariscos, o mar e o clima litorâneo do meu país, foram as coisas que me fizeram escolher ficar aqui quando o trabalho de consultoria em um restaurante para o qual fui contratada, encerrou”, conta.

Anticucho: espetinhos de fatias de coração bovino

Nada de QR Code. O cardápio físico ilustrado com imagens dos pratos pode ser conferido nas mesas ou espalhados pelas paredes. Nele, pratos típicos e apetitosos da gastronomia peruana, como o Causa de Camarão, uma espécie de purê de batata prensado com recheio de maionese feita na casa, abacate, ají amarelo e camarões. Além de bonito, é leve, fresco e delicioso. O que dizer do ceviche de peixe fresco que chega à mesa numa daquelas barquinhas plásticas que costumam ser usadas nos restaurantes orientais, decorado com chips de banana que, juntamente com a canchita, equilibram frescor e crocância? Bom demais!

Torta aos três leches: leve e molhadinha

Outra boa pedida é o arroz de mariscos que, como o nome já diz, é uma espécie de paella marinera mais caldosa e caprichada com mexilhão, polvo, camarão e outros seres marinhos. A lista de pratos que compõe o cardápio é imensa, mas vale experimentar clássicos como o Lomo Saltado, feito com filé mignon; o pulpo anticuchero (um polvo delicioso) e, para os mais corajosos, o anticucho (espetinho com pequenos pedaços de coração bovino). Ou ainda os pratos à base de macarrão (os tallarines), o Chicharron de pescado (peixe frito), o tamal peruano feito com milho moído, dentre outras coisas. Agora se você gosta de experimentar, uma dica é pedir o trio de degustação, composto de três porções de pratos.

Causa de camarão

É um bom começo para a farra peruana, embalada com a cerveja de trigo cusqueña. Se sair de lá molinho de tanto comer, peça o energizante chá de coca. Isso depois de provar a torta três leches, um bolo de massa leve, molhada com três tipos de leite: condensado, creme de leite e leite vaporizado. É um pecado que, seguramente terá perdão. Dado por você, claro!

Serviço:
O Peruano – @cozinhaperuana
Rua Eduardo Diniz Gonçalves, 79, Barra.
Tel. 71 98270 0072

Correio 24hs

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