Polêmicas e título da Série D: conheça a Aparecidense, próximo rival do Vitória

Aparecidense é a atual campeão da Série D

Demorou um pouco mais que o esperado, mas o Vitória garantiu seus primeiros pontos na Série C do Campeonato Brasileiro ao derrotar o Manaus, há uma semana. Agora, o Leão quer embalar e engatar uma sequência de bons resultados. Para isso, visitará a Aparecidense segunda-feira (9), às 20h, em Goiás, pela 5ª rodada da competição.

O time apelidado de Camaleão não é muito conhecido do torcedor rubro-negro, e o encontro, no estádio Annibal Batista de Toledo, em Aparecida de Goiânia, será o primeiro entre os dois times na história. Aliás, o rival é um dos dois estreantes na Série C, ao lado do Atlético Cearense. Até aqui, a nível nacional, só havia disputado a 4ª divisão e a Copa do Brasil.

O rival azul e branco, porém, tem um bom cartão de visitas: chega com a pompa, justamente, de atual campeão da Série D. Ergueu a taça sobre o Campinense, depois de vencer a ida por 1×0, em Campina Grande, com gol de David, e empatar a volta em 1×1 – Dione abriu o placar, mas Samuel também marcou e garantiu o título.

Jogadores da Aparecidense comemoram o título da Série D 2021
(Foto: Thais Magalhães/CBF)

Com o troféu, o clube se tornou o primeiro do Centro-Oeste a conquistar a Série D. Apesar do feito histórico, a Aparecidense faz uma campanha ainda instável na terceira divisão. Iniciou sua trajetória ganhando por 2×0 do Ypiranga de Erechim, no Rio Grande do Sul, e perdeu os dois duelos seguintes, ambos por 1×0, para Mirassol, em casa, e Manaus, no Amazonas. Na rodada passada, empatou com o Campinense em 1×1, no Estádio Amigão, em Campina Grande (PB).

Os resultados renderam 4 pontos à equipe treinada por Eduardo Souza, que está na 15ª colocação. O Vitória, com 3, aparece logo em seguida, na 16ª posição.

O goleador do time na temporada é o atacante Alex Henrique, com cinco gols marcados em 13 jogos disputados.

O técnico Eduardo Souza comanda a Aparecidense
(Foto: A. A. Aparecidense/Divulgação)

Começo instável

Criada em 1985, a Associação Atlética Aparecidense só se profissionalizou em 1992, quando disputou a segunda divisão Goiana. Três anos depois, em 1995, foi vice-campeã da competição e se classificou para a elite estadual. Mas foi o penúltimo colocado em 1997 e acabou rebaixado.

Os anos seguintes foram de quedas, acessos e desistências. Até que, em 2010, o Camaleão conseguiu o título da Série B do Goianão e, desde então, não saiu mais da primeira divisão estadual.

As melhores campanhas da história do clube no torneio aconteceram em 2015 e em 2018, quando chegou à final. Mas o título ainda não veio – nas duas vezes, a taça ficou com o Goiás.

Aparecidense foi vice-campeã estadual em 2015
(Foto: Evandro Duarte/Aparecidense)

Por outro lado, alcançar a decisão classificou a Aparecidense para as edições seguintes da Copa Verde. A estreia, em 2016, teve uma série de boas apresentações e rendeu ao time azul e branco a vaga nas semis, tirando o Cuiabá nas quartas. Mas caiu para o Gama e não foi à final. Já em 2019, o Cuiabá deu o troco e eliminou o Camaleão nas oitavas.

Zebras na Copa do Brasil e polêmicas

Além do Goianão e Copa Verde, a Aparecidense participou de três edições da Copa do Brasil. Foram poucas aparições, mas o suficiente para deixar o time conhecido por protagonizar zebras.

Em seu primeiro compromisso na história da competição, em 2016, eliminou o Sport, com duas vitórias – por 2×0, em casa, e 2×1, na Ilha do Retiro. Não avançou muito, porém. Na segunda fase, caiu para o Ypiranga-RS.

O Camaleão ganhou do Sport na ida, por 2×0, e voltou a vencer na volta, por 2×1
(Foto: Williams Aguiar/Sport Club do Recife)

Dois anos depois, em 2018, a Aparecidense retornou à Copa do Brasil. E, de novo, tirou um medalhão: o Botafogo, após ganhar o jogo único por 2×1. Aquele resultado surpreendente teve um protagonista conhecido no futebol baiano: Nonato, ídolo do Bahia. Foi ele que empatou o jogo, após Pimpão abrir o placar com um golaço. Gustavo Ramos assinalou a virada e decretou a vaga para os goianos.

Nonato comemora após gol sobre o Botafogo
(Foto: Marielly Dias/Carlos Costa/Aparecidense)

No entanto, mais uma vez, a equipe não durou muito no campeonato. De novo, caiu na segunda fase, dessa vez para o Cuiabá, ao perder por 3×1.

A última aparição na Copa do Brasil foi em 2019, e teve bastante polêmica, com direito a gol ilegal, interferência externa e jogo anulado. Tudo começou na abertura do torneio, quando a Aparecidense entrou em campo para enfrentar a Ponte Preta. O clube azul e branco conseguiu sair na frente graças a um gol anotado por Uéderson, ainda no primeiro tempo.

A Macaca precisava de um empate para garantir a classificação e anotou com Hugo Cabral, já aos 44 minutos da etapa final. Mas o jogador, que pegou rebote do goleiro, estava em posição irregular. O gol foi inicialmente validado, até que, após um tumulto que durou 16 minutos, a arbitragem voltou atrás. Assim, a partida terminou 1×0 para o time goiano.

Aparecidense e Ponte Preta tiveram jogo anulado pela Copa do Brasil
(Foto: Aparecidense/Divulgação)

Aí, vinha a confusão. A diretoria da Ponte Preta alegou interferência externa sobre a arbitragem na anulação do gol e entrou com ação no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) para impugnar o resultado.

Dez dias depois, o duelo foi anulado. A equipe paulista comemorou, enquanto a Aparecidense reclamou nas redes sociais e chamou a decisão de tapetão. Ainda entrou com recurso para tentar manter a vitória por 1×0, mas o Pleno do STJD manteve a decisão de anular a partida.

Após 50 dias, as duas equipes voltaram a se enfrentar. E a Aparecidense voltou a vencer, graças a dois gols no segundo tempo: Alex Henrique abriu o placar aos 7 minutos e Washington ampliou aos 27. A sina das eliminações na segunda fase, porém, se manteve, e o time caiu para o Bragantino-PA, com derrota por 3×2.

Aparecidense eliminou a Ponte Preta por 2×0 na Copa do Brasil
(Foto: Aparecidense/Divulgação)

A polêmica contra a Ponte Preta não foi a única. O clube goiano já foi excluído da Série D por causa de uma ação inusitada do massagista Romildo Fonseca da Silva, o Esquerdinha, que teve um dia de goleiro.

O ano era 2013, e a Aparecidense chegava às oitavas de final da 4ª divisão. O primeiro jogo, em Goiás, terminou em 1×1. Na volta, em Juiz de Fora (MG), a partida contra o Tupi ia empatada em 2×2, resultado que classificava os goianos.

Até que, aos 44 minutos do segundo tempo, Ademilson chutou a bola ao gol. Esquerdinha não titubeou: invadiu o campo e, em cima da linha, impediu o lance. Não parou por aí: no rebote, nova chance do Tupi e, mais uma vez, o massagista 'salvou', impedindo a vitória do time mineiro.

O lance causou indignação nos jogadores e comissão técnica do Tupi, que correram atrás de Esquerdinha – que conseguiu correr até o vestiário e se esconder. Após cerca de 20 minutos de paralisação, o jogo foi reiniciado e terminou em 2×2.

Dias depois, porém, a invasão acabou causando a eliminação da Aparecidense, além da suspensão de 24 jogos a Esquerdinha em competições organizadas pela CBF.

Correio 24hs

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