Pacientes das Obras Sociais Irmã Dulce festejam São João com forró e sanfona

“Venha cá, véi” você sabia que a festividade de São João também chegou para a Santa Dulce dos Pobres? Iniciando todos os vídeos com esse jargão, Ivan Mesquita, conhecido por “O Cêro”, viral nas redes sociais por contar histórias de cidades e costumes nordestinos, idealizou o 1º Arraiá da Dulce, com canções, cenário e comidas típicas na manhã da terça-feira (14). Junto ao sanfoneiro Jó Miranda e quadrilhas colaboradoras, o festejo reuniu mais de 10 mil espectadores on-line e fez a alegria dos pacientes e moradores do Centro de Acolhimento à Pessoa com Deficiência, uma das unidades das Obras Sociais Irmã Dulce (Osid), localizada na sede da instituição, no Largo de Roma.

“Já vinha pensando nessa causa há algum tempo. Ano passado fiz um vídeo da história da irmã Dulce no intuito de levar o público para essa causa. Esse ano pensei em fazer campanha mais direta, algo mais objetivo”, conta Mesquita. O contador de histórias lembra, no entanto, que a doação deve ser considerada por todos. Isso porque a Osid tem enfrentado a mais grave crise financeira desde a sua fundação. A estimativa é um déficit acumulado de 44 milhões até o final do ano, afirma Sérgio Lopes, assessor corporativo da instituição.

Idealizadores do Arraiá, Jó Miranda (com sanfona) e Ivan Mesquita (com microfone) desenvolveram evento após entrevista em programa (Foto: Divulgação)

Durante o evento, dois projetos de quadrilhas da Osid marcaram presença. A Quadrilha Renascer, para idosos, e a Quadrilha Terecoteco para pessoas com deficiência (PcD). “Ai de mim se não fosse esse projeto. É vida para todos nós idosos, principalmente para mim que trabalhei demais. É vida! É vida! Coral, quadrilha, samba de roda, passeios, tudo é daqui. Me sinto muito bem. Maravilhosamente bem”, comemora Avany Barbosa, de 78 anos, integrante da Quadrilha Renascer.
O animador da Terecoteco e educador físico, José Carlos Sobrinho, adapta os passos de quadrilhas tradicionais para inclusão do público PcD. Para ele, o objetivo da quadrilha é trabalhar a consciência da cultura junina ao mesmo tempo que fomenta a inclusão social. O grupo se apresenta em shoppings, festivais e quermesses, levando felicidade ao público que assiste.

Pessoas com deficiência (PcD) do Centro Especializado em Reabilitação Irmã Dulce e do Centro de Acolhimento à PcD da Osid formam a Quadrilha Terecoteco e curtem show junino (Foto: Divulgação)

A instituição fundada pela primeira santa brasileira atua oferecendo atendimento gratuito na saúde, educação e assistência social. São 3,5 milhões de procedimentos ambulatoriais, 23 mil cirurgias e 43 mil internamentos realizados anualmente na Bahia.

“Foi uma experiência maravilhosa. Nunca tive oportunidade de trabalhar em equipe dessa forma organizada. Foi único”, celebra o sanfoneiro Jó Mesquita, que faz visitações musicais a pacientes acamados há mais de 10 anos.

Com 89 anos, a integrante da quadrilha Renascer, Norma Sacramento, reconhece o valor do projeto. “Faço parte das festas, ginástica e consultas de médico. Estou muito satisfeita, já vou fazer 90 anos, [mas] tudo que tem aí estou presente”, afirma lembrando que, junto a outras idosas, está buscando uma forma de angariar fundos para a entidade.

Pacientes do Centro de Geriatria e Gerontologia da Osid dançam na Quadrilha Renascer e animam evento (Foto: Divulgação)

Em busca de fôlego nas dívidas, Sérgio Lopes, assessor corporativo da instituição, diz que a Osid está em contato com o Ministério da Saúde e a Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab) na expectativa de que haja uma solução das duas esferas. Diz, no entanto, que ainda não houve negociação.

Além das instituições públicas, cada pessoa também pode doar através do PIX amigos@irmadulce.org.br, do site da campanha “Um Milhão de Amigos Para Santa Dulce” (www.1milhaodeamigossantadulce.org.br) ou do contato com a Central de Relacionamento com o Doador (CRD) da entidade, pelo telefone (71) 3316-8899.
*Com orientação da subchefe de reportagem Monique Lôbo

Correio 24hs

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