O fazendeiro do PT, a bronca de Wagner em Geraldo, e a transparência nada transparente de Rui

Homem de bens
Um poderoso figurão petista tem dado o que falar nos bastidores da política baiana por ter usado um testa de ferro para comprar uma fazenda na região de Ipiaú. O pedaço de terra, um dos mais valorizados da região, foi adquirido por cifras que, dizem, superam, e muito, os dois dígitos da casa dos milhões. E o tal petista já gosta de posar de humilde em seus discursos à imprensa. O golpe tá aí, cai quem quer…

Gogó de ouro
E não para por aí, não, viu. Lideranças da região confidenciaram a esta coluna que o tal figurão falastrão do PT já anda de olho em outros pedaços de terra nas redondezas. Há pelo menos outras duas fazendas que ele já manifestou interesse na aquisição. O homem é mesmo pura humildade.

Bronca do chefe
O senador Jaques Wagner (PT) foi escalado para levar o recado da inconveniência do vereador Geraldo Júnior (MDB) na campanha petista. Segundo confidenciaram fontes à coluna, Wagner teria sido enfático: “você não pode querer aparecer mais que o candidato”. Geraldo, então, teria perguntado se a cúpula governista queria que ele deixasse de discursar ou mesmo de participar dos eventos. O senador afirmou que não, mas avisou: “você precisa ser mais discreto”. Resta saber se o “Líder” vai cumprir, né?!

Outro anônimo?
Pessoas ligadas a Geraldo confidenciaram a vereadores que há uma preocupação sobre como o emedebista vai fazer para ter visibilidade a partir de 30 de junho, quando termina o prazo para emissoras de rádio e de televisão transmitirem programa apresentado ou comentado por pré-candidato. Fraco nas redes sociais, o “Líder” vai ter uma perda grande a partir de julho e tem a chance de sumir do mapa.

Mexe com quem tá quieto
Geraldo Júnior (MDB) está causando um mal-estar entre deputados do PT por invadir bases petistas consideradas “intocáveis”. Durante eventos do governo no interior, dos quais tem participado, o “Líder” está indo para cima de lideranças ligadas a nomes do PT, utilizando “ferramentas nada republicanas” para conquistar o apoio deles para a candidatura do filho a deputado estadual. O caso foi levado ao governador Rui Costa, que, dizem, fez cara de paisagem. Mas caciques do partido já avisaram que não vai ficar por isso mesmo e prometem um contra-ataque.

Retroativo
Nos últimos dias o governo passou a publicar no Diário Oficial decretos de desapropriação de terrenos para construção de escolas, cujos anúncios de obra e licitação já haviam sido explorados política e eleitoralmente em agendas pelo interior semanas atrás. Na prática, o governo garantiu realizar uma obra num terreno que nem tinha ainda. Sabe lá Deus como conseguiram a proeza de formatar uma licitação. Técnicos da gestão não escondem que o desespero eleitoral dos agentes políticos tem provocado um atropelo administrativo sem precedentes.

Transparência tardia
Outro tipo de publicação retroativa que virou moda nos atos oficiais do Palácio de Ondina se refere ao patrocínio de festas e eventos que já aconteceram. Ou seja, a população só é avisada da gastança depois que o leite foi derramado. A cidade de Arataca, onde o prefeito ainda apoia o anônimo, recebeu incentivo de R$ 140 mil para fazer uma micareta no dia 29 de maio, mas o valor só se tornou público no Diário Oficial desta quinta-feira (9 de junho). O modus operandi de transparência tardia é o mesmo em dezenas de municípios, e já está na mira dos técnicos e auditores dos órgãos de controle.

Nem o Divino ajuda
Quando Jerônimo Rodrigues viu uma multidão na praça de Poções, em visita à cidade na semana passada, abriu logo o (recém-adquirido) sorriso. Testemunhas que estavam por lá relataram que o petista se animou todo, esperando ‘aquela’ recepção. Mas, que nada: minutos depois, ficou claro o que as pessoas realmente esperavam: era a tradicional chegada das bandeiras à Praça do Divino, belíssima cerimônia que todos os anos abre a Festa do Divino, e que voltou a ocorrer em 2022, após a pandemia, na Terra do Divino. Pelo visto, a alcunha de Anônimo Rodrigues pegou mesmo, e nem o Divino ajuda.

A moquequinha
Numa foto, tirada de cima de um prédio na Praça do Divino e que circula nas redes sociais, dá pra ver a ‘moquequinha’, como dizem, que de fato acompanhou o pré-candidato do PT. Segundo as lideranças de Poções, teve pré-candidato a deputado estadual que visitou a cidade na abertura da Festa do Divino e arrastou mais gente. A mesma ‘moquequinha’ foi vista no café da manhã promovido pelos petistas no Clube Recreativo de Poções – a maioria dos presentes era de funcionários da prefeitura, dizem lideranças locais. Os fotógrafos tiveram trabalho: valeu até ‘pongar’ na procissão que tradicionalmente sai da Praça do Divino para dizer que era adesão à caminhada. Ficou feio.

Cadê o dinheiro do ICMS?
O governador Rui Costa disse nesta semana que não pode tirar o dinheiro da saúde, da segurança e da educação para baixar o ICMS, mas o que não se sabe é para onde esses recursos estão indo. Na educação, a rede estadual tem os piores índices do Brasil e ainda sofre com o sucateamento de escolas na capital e no interior. Na segurança, nem se fala… são viaturas velhas, falta de efetivo, delegacias fechadas, profissionais desvalorizados. Na saúde,a fila da regulação que atormenta a população do interior, além da falta de hospitais regionais em diversos pontos. E aí, governador, cadê o dinheiro do ICMS?

Só ele que tá certo
Em outros estados, inclusive do Nordeste, governadores reduziram o tributo do combustível para o transporte público, menos Rui. Será que o petista baiano está dizendo que os outros governadores não estão preocupados com saúde, segurança e educação?

Sem clima
Deputados governistas já admitem internamente que não há clima para votação de matérias do Executivo que estão se amontoando na Assembleia Legislativa. Na última quarta, por exemplo, apenas 19 marcaram presença e a sessão, em modelo híbrido, sequer foi aberta. Um parlamentar que chegou ao plenário quando havia apenas 13 nomes inscritos no painel brincou com o número tímido: "eita 13 azarado", exclamou e saiu aos risos. No final das contas era preciso quórum de 21 deputados para abertura dos trabalhos.

Procura-se
Por falar em transporte público, causou estranheza o silêncio ensurdecedor dos aliados de Rui com o aumento da tarifa dos ônibus metropolitanos, o maior dos últimos dez anos: 11,85%. Para se ter uma ideia, a passagem aumentou em até 1 real por trecho. Se fosse só isso, até ok, mas o sistema sofre com o sucateamento de veículos, que estão caindo aos pedaços, além das dificuldades causadas pelo aumento do diesel, que já levou ao fim de operação de algumas empresas, como BTU e VSA.

Chuva de críticas
O governador Rui Costa já tem sentido na pele o derretimento de sua popularidade, fato apontado em pesquisas recentes. Durante o seu último "papo correria, o que não faltou foi gente criticando e cobrando do governador ações para seus respectivos municípios. Falta de professor, problemas com atendimento hospitalar e onda de violência foram algumas das questões apontadas por internautas que acompanharam a live. Talvez isso ajude a explicar o mau humor do governador nas últimas semanas. É, Rui, tá complicado mesmo!

Correio 24hs

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