Joana Henning é revelação dos bastidores do cinema nacional

Joana Henning começou a vida profissional como artista circense e hoje é produtora e empresária

Um dos filmes mais interessantes em cartaz em Salvador atualmente é o libanês 1982, passado durante a invasão do Líbano, naquele ano. O filme, em cartaz no Circuito Saladearte, conta a história de Wissam, um menino de onze anos que está apaixonado por uma colega e tenta se declarar a ela. E a brasileira Joana Henning é uma das responsáveis pela chegada do longa ao Brasil.

Mas não adianta procurar pelo nome de Joana nos créditos, pois essa brasiliense de 36 anos não faz parte da equipe do filme. Mas ela é sócia-fundadora da Escarlate, produtora e distribuidora de cinema que trouxe o drama libanês para o país. A empresa funciona no Rio e em São Paulo.

Circo
Depois de ser membro de uma trupe de circo em Brasília e trapezista por alguns anos, ela migrou para o cinema. "Primeiro, participei de um Fórum de Circo. Depois, assumi o Fórum de Cultura e produzi grandes eventos. Fiz festivais de boneco, cinema… Lá, aprendi tudo", lembra-se Joana.

Depois da experiência com festivais cinematográficos, percebeu que o audiovisual reunia diversas linguagens que lhe interessavam, ao contrário do circo, que era mais restrito. Joana também fez assistência de direção em dois filmes.

Um momento muito importante foi quando chegou ao Rio de Janeiro e passou a produzir eventos de grande porte. "Ali, comecei a entender que o audiovisual era um caminho", diz Joana. Teve também uma experiência relevante como produtora de eventos ao vivo da Globo, que lhe despertou interesse pelos bastidores do audiovisual.

Começo
A Escarlate começou com dez projetos, sendo um deles com a Globofilmes: a comédia De Perto, Ela Não é Normal, que seria lançada nos cinemas, mas foi direto para TV e streaming por causa da pandemia. Desde aquele início, ficou clara uma preocupação da empresa com a representatividade, que instituiu a cláusula de inclusão.

"Essa é uma das premissas do Me Too [movimento feminista contra assédio e agressão sexuais]. A cláusula obriga as 'cabeças' das equipes a terem uma equipe inclusiva. Isso passa por som, fotografia, direção…", observa a produtora.

A direção de De Perto, Ela Não é Normal é de Cininha de Paula. No elenco, estão Suzana Pires – que é também roteirista -, Heloísa Perissé, Henri Castelli, Gaby Amarantos, entre outros. O filme conta a história de uma mulher que, depois anos de um casamento enfadonho, resolve dar a volta por cima e recomeçar a vida aos 40 anos.

A comédia popular tem o feminismo como mote. "Gaby Amarantos disse que é preciso trazer o feminismo para o cinema popular, porque essa temática 'nichada' precisa ser popularizada", destaca Joana. O filme está disponível no Globoplay. No mesmo serviço, está a série documental O Caso Celso Daniel, produção da Escarlate sobre o assassinato do ex-prefeito de Santo André em 2002.

Mulheres
Hoje, a Escarlate só tem mulheres entre seus funcionários. São doze contratadas diretamente pela empresa, além daquelas que prestam serviço através de parceiros. O quadro 100% feminino aconteceu naturalmente, segundo Joana. "O obrigatório na Escarlate é a diversidade. A questão feminina interna foi orgânica mesmo", garante.

Joana é casada com Pedro Parente, que foi presidente da Petrobras no Governo Temer. A empresa é – ou, ao menos, era, até o início do governo Bolsonaro – uma das maiores fomentadoras do audiovisual brasileiro. Por isso, a A Escarlate, segundo Joana, se desabilitou, na época, de projetos patrocinados pela Petrobras, por exigência legal.

Mas, por ética, ela preferiu deixar de captar também pelo BNDES ou Banco do Brasil.

"Não posso, como esposa de um presidente de uma multinacional de sistema público e privado, me relacionar com esse núcleo de poder e captar recursos através de empresas desse núcleo".

A Escarlate tem muitos projetos em vista. Em breve, filma o longa O Sequestro do Voo 375, baseado no sequestro de um avião da Vasp, que ocorreu no Brasil em 1988. Em breve, lança nos cinemas um filme que vai estar no Festival de Veneza, mas o título não pode ser revelado. Em Veneza, a empresa também vai negociar a distribuição de filmes nacionais fora do país. "Estamos com 32 projetos em desenvolvimento, em vários estágios, que devem chegar em dez anos, incluindo um reality show", festeja Joana.

Correio 24hs

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