Dê um rolê pelo Rio Vermelho

Rio Vermelho: um bom passeio do café da manhã até de noite

A pandemia deixou a gente com um banzo danado de Salvador. Aquela tristeza de ver, mas não poder estar, tocar, sentir os cheiros, ocupar os vazios das ruas. Agora, as pessoas começam a se apropriar novamente da cidade. O Rio Vermelho é a prova disso. Nosso bairro mais boêmio (ao que parece, o Santo Antônio Além do Carmo entrou na disputa pelo posto) é bom também pra bater perna em um dia ensolarado de domingo. Vá de táxi, carro de aplicativo ou ônibus, porque é difícil encontrar estacionamento. Leve uma boa companhia. Mesmo depois de dois anos praticamente parado, o Rio Vermelho continua lindo, continua sendo…

Pasta em Casa é uma boa pedida em qualquer horário (foto: Raul Spinassé/Duivulgação)

Café da manhã
Após uma semana de correria, me dei ao luxo de começar o domingo com um café da manhã reforçado, em um ambiente tranquilo. As mesinhas na calçada do Pasta em Casa são convidativas. As comidas também. Os pratos mais pedidos no horário são o crostini de salmão defumado, os waffles, os ovos mexidos com pão da casa, o bolo toscano e o latte machiato (café espresso com espuma de leite). Agora em maio, o restaurante foi escolhido como um dos 100 melhores do Brasil, em votação da Revista Exame, com 60 críticos, jornalistas e influenciadores gastronômicos. Aliás, onze dos melhores estabelecimentos estão na Bahia, sendo que, destes, seis se concentram no Rio Vermelho (Manga, Dona Mariquita, Casa de Tereza, La Taperia e Pasta em Casa).

Vá lá:
Rua Profª Almerinda Dutra, 67, Rio Vermelho
Segunda a sexta, 9h às 18h
Sábado e domingo, 8h às 11h30
@pastaemcasa

Passeio na orla
Depois de um café da manhã reforçado, que tal um passeio pela orla do Rio Vermelho? Dá pra ir de bike (tem ciclovia) ou a pé mesmo. Ao todo, são 2,3 quilômetros de extensão (do Quartel de Amaralina até a Praia da Paciência), mas, saindo do Pasta em Casa em direção à Praia da Paciência o caminho é mais curto. Chegando lá, compre uma água de coco e sente-se na balaustrada com o olhar em direção ao mar. O vento no rosto e o vai e vem das ondas acalmam a alma. Não esqueça o protetor solar!

Casa de Iemanjá (foto Paula Fróes/CORREIO)

Agradecer
Antes de começar o passeio a pé ou de bike, dê uma parada na Casa de Iemanjá. O templo fica debruçado sobre o mar do Rio Vermelho, ao lado da Igreja de Santana. É pequeno, mas cheio de energia, oferendas e histórias de fé. Faça seu pedido ou agradeça, que a Rainha do Mar está sempre atenta. É um bom lugar também para ouvir as conversas dos pescadores da Colônia de Pesca Z1.

Acarajé da Regina (foto: Paula Fróes/CORREIO)

Acarajé
O Rio Vermelho é conhecido, ainda, por suas baianas de acarajé, principalmente Dinha e Cira, as mais famosas. Optei pela terceira via (só nesse caso!): o Acarajé da Regina. Fica ali onde tem o cachorro gigante, que muda de cor como quem muda de roupa (até o fechamento dessa edição, estava rosa). O Acarajé da Regina tem um clima de pracinha do interior: é frequentado por moradores do entorno, amigos e pessoas mais velhas que, ao que parece, são fregueses de longa data. São poucas mesas e cadeiras disponíveis, além de alguns bancos. Por isso, muita gente compra e leva. Tem quem prefira atravessar a rua e sentar no batente da orla. O acarajé e o abará são uma delícia, e a cerveja, gelada. Esse foi o almoço. Papo vai, papo vem, cerveja vai, cerveja vem, achamos por bem comer um docinho.

Vá lá:

Rua Guedes Cabral (no largo onde tem a instalação do cachorro)
Quarta a sexta, 15h às 21h
Sábado, domingo e feriados, 11h até o último acarajé ou abará

De Além Mar (foto: Paula Fróes/CORREIO)

De comer rezando
Lembrei como o pastel de nata da De Além Mar é delicioso. De comer rezando, literalmente! A receita é a mesma dos famosos pastéis produzidos em Belém, Portugal. A De Além Mar foi fundada pelas irmãs de origem portuguesa, Mônica e Maria João Morais. A doceria era em Vilas do Atlântico, Lauro de Freitas. O sucesso foi tanto, que elas abriram algumas lojas em Salvador, até se fixarem no endereço atual, na charmosa Galeria Vila 14. Mônica e Maria foram este ano para o seu país de origem e agora moram em Setúbal, onde abriram uma doceria, mas continuam o empreendimento aqui com mais dois sócios.

Vá lá:

Vila 14 – Rua Odilon Santos, loja 07
Terça a domingo, 12h às 19h
@dealemmar

Tauá (foto: Nilma Gonçalves)

Fonte do Boi
Uma caminhada pela Fonte do Boi (aquela rua onde estão hotéis como o Ibis e o Mercure) descortina ótimos restaurantes com uma boa diversidade gastronômica. Tem de comida baiana (claro!) a japonesa. Para quem não pretende comer, só pausar mesmo, a ideia é sentar na pracinha, abrir um livro ou uma revista, ver o movimento de famílias, crianças, turistas e moradores. Encontrei a loja de artesanato Tauá aberta no domingo. Os objetos são produzidos por artesãos baianos de Maragogipe, Barra, Cachoeira, entre outros municípios. Os preços variam de R$12 a R$1.200. Como eu tinha um aniversário pra ir e não queria encarar shopping, achei uma maravilha.

Vá lá:

Edifício Fonte do Boi, 176, loja 9
Segunda a sexta, 10h às 19h
Sábado, 10h às 18h
Domingo, 11h às 16h
@tauarte

Feirinhas
Nos Largos de Santana e da Mariquita rolam feirinhas de artesanato, roupas e produtos diversos, para todos os gostos e bolsos. Quem tiver uma grana extra, vale a pena dar uma parada para garimpar.

Pôr-do-sol
Em qualquer lugar do Rio Vermelho, o pôr-do-sol é um espetáculo! Só vai!

Colaboraê (Foto: Nilma Gonçalves)

Múltiplo
Comandado pela cantora Ju Moraes, o Colaboraê é incubadora artística, selo musical, produtora e espaço cultural. Lá, estão o Cuia Restaurante, o Bar do Terraço, o ateliê do artista plástico Elano Passos e um estúdio de gravação musical e de podcasts. O lugar aceita animais de estimação e não tolera nenhum tipo de discriminação (a placa de entrada deixa bem claro!). Durante a semana, o Colaboraê funciona a todo vapor, recebendo shows de diversos artistas, como Clariana, Pali, banda Sambaiana e a própria Ju Moraes. No domingo, apenas o Restaurante Cuia abre, inclusive para café-da-manhã e brunch (refeição entre o café e o almoço). Nesse dia, vale a ida também pela mimosa, drink refrescante de origem francesa, à base de espumante e suco de laranja. Perfeito para encerrar o domingo e encarar mais uma semana.

Vá lá:

Cuia – Quarta a domingo, 8h às 20h
Bar do Terraço – Quinta a sábado, a partir das 19h
Rua Borges dos Reis, 81 (no fundo da antiga Biblioteca Juracy Magalhães Júnior)
@colaborae

*A menção honrosa vai para a Casa do Rio Vermelho, residência que foi de Jorge Amado e Zélia Gattai. Dessa vez, não fui, porque a ideia era fazer tudo a pé ali pelo miolo do bairro mesmo. Mas, sempre vale a pena visitar esse espaço fantástico, cheio de lembranças e afetos. Terça a domingo, 10h às 18h @casadoriovermelho

Correio 24hs

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