Curaçá: Ararinhas-azuis mantidas em cativeiro na Alemanha chegam à Bahia

Extintas há quase 20 anos, 52 ararinhas-azuis mantidas em cativeiro na Alemanha chegaram na terça-feira (3), na cidade de Curaçá, no norte da Bahia.

A espécie é considerada extinta na natureza desde o ano 2000. O último registro da ararinha foi feito pela equipe do Fantástico, programa da TV Globo, em 1995, durante uma reportagem.

O animal flagrado pela equipe do Fantástico era um macho, que vivia na companhia de uma arara da espécie Maracanã. Na época os biólogos tentaram induzir o acasalamento com uma fêmea da mesma espécie, que nasceu em cativeiro, mas não deu certo. Pouco tempo depois, o macho desapareceu.

A ararinha-azul é originária da Caatinga, na região de Curaçá. Ela foi alvo de caçadores e do tráfico ilegal de aves, o que causou o fim da espécie em ambiente natural.

As 52 ararinhas-azuis chegaram em dois aviões fretados e seguiram para Curaçá sob proteção da Polícia Rodoviária Federal (PRF).

As araras vão viver em uma área onde foram construídos viveiros de dois mil metros quadrados no meio da caatinga. Vão receber acompanhamento de biólogos e veterinários e treinamentos de readaptação.

“É um processo longo. Na verdade, a gente está com a previsão de cinco anos para que a gente tenha um sucesso nesse projeto”, disse a veterinária Marisol Pessanha.

A tentativa de reintroduzir a espécie tem o apoio de uma instituição alemã, ONGs brasileiras e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). A ideia é facilitar a reprodução dos animais onde viveram os antepassados deles.

Por causa das ararinhas, 120 mil hectares de Caatinga foram transformados em unidades de conservação. Para reproduzir, o animal depende da árvore Caraibeira, uma das mais altas da região.

“Aqui a gente tem muitas áreas de riacho, então há uma abundancia considerável de Caraibeiras.”, contou a pesquisadora Kilma Manso.

Se a experiência der certo, os filhotes das ararinhas-azuis que chegaram da Alemanha vão deixar o viveiro e serão soltos na Caatinga.

Extintas há quase 20 anos, ararinhas-azuis mantidas em cativeiro na Alemanha são levados para Curaçá — Foto: Reprodução/TV Bahia

G1 NOTICIAS

Deixe uma resposta