Após incêndio de grandes proporções, galpão da Codeba deve ser demolido

Uma enorme cortina de fumaça em meio ao sol escaldante. Foi como a vendedora ambulante Joana Conceição, 56 anos, descreveu a cena vista por ela no Galpão 3 do Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba) em chamas. Na madrugada de quinta para sexta-feira (15), um incêndio de grandes proporções atingiu o espaço, localizado no Comércio, em Salvador.

Joana trabalha em frente ao Restaurante Popular, próximo ao local do incêndio. Ainda sem saber o que estava acontecendo, recebeu uma ligação de sua sobrinha pedindo para que não fosse trabalhar, por causa da fumaça que tomou conta do entorno. Contrariando o pedido, ela seguiu para o local e diz ter se surpreendido com a imagem que presenciou.

“Eu fui sabendo o que estava acontecendo, mesmo assim, foi um susto muito grande chegar aqui e ver como tudo estava cheio de fumaça, muito difícil de respirar, e como tudo estava vermelho por dentro”, conta Joana.

O fogo foi percebido por vigilantes, que acionaram a emergência. Devido à extensão do incêndio, dez viaturas do Corpo de Bombeiros precisaram atuar no combate às chamas. Além disso, três navios rebocadores usaram bomba para sugar a água do mar, na tentativa de controlar o fogo. A força da água foi tamanha que atingiu e danificou a estrutura de outros prédios do entorno.

De acordo com o engenheiro João Carlos Palma, da Defesa Civil de Salvador (Codesal), o galpão continha uma grande carga de celulose, produto altamente inflamável. “As chamas estão fechadas numa área, assim, não se espalham para outros galpões. Foram usadas retroescavadeiras e outros maquinários para a retirada das cargas (celulose) que ficaram intactas”, disse.

Com o incêndio, parte do teto desabou e a estrutura do Galpão 3 inchou, ameaçando ruir toda a construção. Por causa do fogo, o trânsito nas duas pistas que passam em frente ao local também precisou ser interditado em parte da Avenida da França. Não houve registro de feridos.

Processo para obter alvará ainda está em análise
O Corpo de Bombeiro classificou o incêndio como controlado após nove horas de trabalho. O comandante-geral da corporação, Adson Marchesini, informou que o Galpão 3 não tem o alvará de vistoria dos bombeiros. Segundo ele, a companhia deu entrada com o projeto para garantir o Auto de Vistoria, mas o processo ainda está em tramitação.

“A primeira informação que tenho é que eles estão em andamento com esse processo. Deram entrada para a aprovação do projeto, que é o primeiro passo para ter o alvará”, destacou. Ainda de acordo com ele, o documento atesta que a edificação tem sistema pronto de combate a incêndios e “está segura para evitar risco de perdas humanas”.

Procurada, a Codesal informou que, com a instituição da lei de incêndio, a responsabilidade da aprovação do auto de vistoria deixou de ser responsabilidade da Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Urbanismo (Sedur) e passou a ser do Corpo de Bombeiros, que tem um setor específico para esse caso.

O CORREIO entrou em contato com a Codeba para saber mais informações sobre o processo, mas não teve resposta até o fechamento desta reportagem, às 23h de sexta (15). A causa do incêndio ainda não foi definida, trabalho que será feito através de perícia do Departamento de Polícia Técnica (DPT). Sabe-se, porém, que devido à intensidade do fogo, o galpão deve ser demolido. Conforme a Codesal, mesmo controlado, as chamas podem retornar.
*Com orientação da chefe de reportagem Perla Ribeiro

Correio 24hs

Deixe uma resposta