Acender luzes em casa pode matar tartarugas marinhas; veja como ajudar

Você sabia que a simples luz de um poste ou da janela de uma casa na beira da praia pode prejudicar a desova das tartarugas marinhas e até matar filhotes das espécies? Essas e outras curiosidades foram ensinadas aos moradores de Stella Maris.

Em homenagem ao Dia Mundial do Meio Ambiente, a Secretaria de Sustentabilidade e Resiliência (Secis) realizou o evento Ambientaliza Salvador, com direito a bate-papo com quem entende dos animais marinhos mais famosos da Bahia e também outras atividades para crianças e adultos.

Logo no começo da manhã, os participantes fizeram uma aula de alongamento para espantar a preguiça e começar bem o fim de semana. Em seguida, o biólogo e pesquisador do Projeto Tamar, Manoel Joaquim de Oliveira Neto, falou sobre as tartarugas marinhas e suas curiosidades. Um dos temas mais abordados foi como a luz artificial prejudica esses animais. O caso é tão sério, que o Projeto Tamar realiza um projeto em parceria com a prefeitura para proteger esses animais que buscam refúgio na orla da cidade.

Mas, afinal, o que acontece? Simples. A luz artificial no período noturno espanta a fêmea que sai à noite para desovar, além de desorientar os filhotes e tirá-los do percurso até o mar. Quando os filhotes nascem, eles tendem a se afastar dos ambientes escuros e vão em direção ao mar, que está iluminado pelas estrelas e pela lua. Com a presença de luzes artificiais na praia, os animais ficam confusos e desorientados. Por isso, é necessário cuidado caso você more na orla.

“A gente espera que através desta ação e de outras que virão, as pessoas se conscientizem e apaguem as luzes de suas residências e condomínios que estão incidindo na praia para a gente entregar para as tartarugas marinhas um ambiente bom para que os filhotes possam nascer e seguir seu caminho tranquilamente”, explicou Manoel Joaquim, pedindo ajuda de quem mora na região de Stella.

Quando os filhotes saem da rota até o mar, facilmente voltam para a faixa de areia e podem ser atropelados, devorados por predadores como gatos e cães, ou morrem de desidratação.

Na capital baiana o período de desova das tartarugas marinhas ocorre diariamente, entre os meses de setembro a março. De acordo com o Projeto Tamar, no mundo existem sete espécies de tartarugas marinhas, sendo que cinco destas espécies escolhem o litoral norte da Bahia para desovar. No país estima-se que 25 mil desovas ocorrem durante todo o ano.

A estimativa do Projeto Tamar é que, em Salvador, no período típico de desova, sejam encontrados 250 ninhos de tartarugas marinhas por ano – cada um corresponde ao nascimento de 80 a 100 animais, o que resulta em ao menos 20 mil novos filhotes por temporada. As espécies mais comuns de tartarugas marinhas encontradas na orla da capital baiana são a cabeçuda, pente e oliva.

De férias em Salvador, o turista Pedro Mamm decidiu participar da atividade e ficou surpreso com as curiosidades que descobriu. “Foi bom tirar algumas dúvidas que eu tinha e achei muito bom este evento. Quando a gente participa de um evento como este, passa a saber que a tartaruga tem sua importância na estrutura da cadeia alimentar e precisa ser preservada, sim”, afirmou.

A titular da Secis, Marcelle Moraes, contou que Salvador já está se adaptando para acolher as tartarugas e desligando as luzes que impactavam a faixa de areia desde Piatã até Stella Maris. “Esta ação é coletiva e pensamos em fazer isso na Semana do Meio Ambiente para conscientizar o público sobre a preservação das tartarugas. Durante esses últimos dias, o Ambientaliza Salvador trouxe para campo tudo que a gente faz dentro da Secis, promovendo a conscientização da população sobre diversos temas”, afirmou.

“A gente precisa promover condições para que o que acontece em Praia do Forte possa ocorrer aqui em Salvador. Muitas vezes os ninhos eram levados para o litoral porque Salvador não oferecia as condições ideais. As pessoas precisam entender e estar conosco nesta ação de conscientização", explica a diretora de Resiliência da Secis, Tainara Ferreira.

No final da atividade, o público participou de um momento lúdico que buscou simular a desorientação de filhotes. Todos foram vendados e tentaram fazer uma caminhada na faixa de areia para entender como os filhotes se sentem ao fazer a caminhada até o mar caso encontrem luz pelo caminho.

Participantes vendaram olhos para entender como filhotes se sentem com a luz artificial
(Foto: Lucas Moura/Secom)

Mapeamento de Itapuã até Ipitanga
O projeto Tamar está mapeando, monitorando e identificando ninhos de tartarugas no trecho de Itapuã a Ipitanga, área considerada de maior incidência de desova destes animais na capital, além de informar e engajar a população na proteção deles.

As equipes percorrem diariamente trechos das praias identificando e protegendo as desovas, além de avaliar se a área pode acolher o ninho ou se ele precisa ser realocado. Durante este processo as equipes também realizam a proteção dos ninhos, colocando estacas para que humanos não caminhem sobre eles, além de numerá-los para acompanhamento.

O evento contou com a parceria das secretarias de Cultura e Turismo (Secult), Ordem Pública (Semop), Projeto Tamar, Bio Energética e Gran Hotel Stella Maris.

Correio 24hs

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