Desempregados fazem fila no Maracanã em busca de emprego

Há sete meses desempregado, Isac Santos, de 30 anos, acordou por volta de 4h da madrugada, nesta terça-feira, em busca de uma mudança no seu currículo. Graças a isso, conseguiu uma das senhas para participar do evento da comunidade católica “Gerando Vidas”, que atua como parceira voluntária de empresas na pré-seleção de candidatos para vagas de emprego. Nesta edição, 360 vagas estavam disponíveis.

A ação aconteceu na sede do Sindicato de Telefonia do Rio de Janeiro (Sinttel), no bairro do Maracanã.

— Eu era auxiliar de serviços gerais em uma loja até julho de 2016, quando fizeram vários cortes na empresa e eu fui demitido. Em julho do ano passado, consegui outra oportunidade, para fazer limpeza em ônibus. Mas terminado o período de experiência, me dispensaram. Fizeram isso com outras pessoas também. E já estou há sete meses desempregado. Toda segunda-feira eu tiro xerox dos currículos, entrego em firmas perto de casa e tenho ido muito ao Centro do Rio também. Envio currículos por e-mail ainda, mas acho que não está dando certo. Então, comecei a vir em feiras de emprego — contou o morador de Vigário Geral, que chegou no local às 6h30, três horas e meia antes do início da ação.

Segundo a organização do evento, foram selecionados candidatos para vagas de oficial de rede de telecomunicações, auxiliar de loja, auxiliar de prevenção e perdas, motorista de ônibus, telemarketing, ajudante de armazém, vendedor de seguros, técnico em Enfermagem e consultor de vendas.

— Nós recebemos todas as vagas por escrito e aceitamos só as que garantem todos os direitos trabalhistas, pela CLT. Então, colocamos na nossa página no Facebook, anunciando a ação de pré-seleção, com no máximo dois dias de antecedência, para evitar que viralizem. Temos um time de voluntários, inclusive formados em Recursos Humanos, que verificam se os candidatos que comparecem estão no perfil mínimo. E encaminhamos estes para avaliação final da empresa contratante. Encaminhamos só um por vaga, para aumentar a chance da pessoa ser contratada. E uma vez por mês convidamos uma empresa para fazer sua avaliação final no dia e local da nossa ação habitual de pré-seleção. Pois isso mostra para as outras pessoas que há um caminho aqui — explicou Paulo Vasconcellos, coordenador da comunidade.

A jovem Mell Brito, de 24 anos, também compareceu à feira e contou:

— Trabalhei por um ano e quatro meses, até novembro e 2017, em uma empresa de telemarketing, que faliu. E fiquei desempregada até abril deste ano, quando consegui uma vaga de temporária em uma loja de chocolates. Durante esse intervalo, aproveitei o verão para vender sacolé na praia. Enquanto tinha verão, era uma alternativa ótima. Agora, não mais. Estou colocando currículo por e-mail e recorrendo a indicação de amigos para conseguir um novo emprego. Moro sozinha, tenho que me sustentar.

Nesta terça-feira, além da ação de pré-seleção, como relatou o coordenador Paulo Vasconcellos, uma empresa de varejo de materiais de construção e decoração estava presente para aplicar prova e entrevistar 80 candidatos pré-selecionados pelo grupo em outra semana, para 80 vagas de emprego. A resposta final para eles sairá nos próximos dias.

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