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Tiago Nacarato

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Se não fosse o sotaque português, quem passasse por Tiago Nacarato, sentado num banquinho de frente ao Rio Douro, no Porto (Portugal), com violão a postos, dedilhando Bossa Nova, poderia jurar que se tratava de um brasileiro apaixonado. O músico de 27 anos, que deixou o público encantado e explodiu nas redes sociais há alguns meses, ao interpretar ‘Onde Anda Você’ (Toquinho e Vinicius de Moraes) no ‘The Voice Portugal’, nasceu no país de Camões, mas tem família e alma brasileiras. Fala fácil (e aproveita para cantarolar sempre que pode) sobre Gilberto Gil, Chico Buarque, Los Hermanos e sonha em cantar ao lado de Yamandu Costa.

Foi sobre essa paixão e herança, tanto genética quanto cultural, que Nacarato conversou com o Notícias ao Minuto Brasil. E mostrou que, sim, a simpatia e o talento que garantiram quatro cadeiras viradas no reality show musical têm muito mais do que apenas um pé no lado de cá do Atlântico. “O Brasil é muito forte pra mim”, entregou, orgulhoso, o lusobrasileiro.

Antes de ser tornar cantor, você queria ser jogador de futebol e até chegou a jogar profissionalmente. O que te fez mudar de sonho?

Sim, queria ser jogador, cheguei a jogar numa equipa, ou num time, como vocês dizem no Brasil, participei de campeonatos. A virada aconteceu quando um dos meus irmãos me deu um violão. Nem éramos muito próximos e meu irmão me deu o instrumento porque eu estava inscrito em aulas de canto. E eu, a partir daí, mudei todos os planos da minha vida, foquei no violão e dediquei-me à música 100%. Fiz faculdade de cinema, mas não cheguei a terminar porque fui recebendo propostas de trabalho, mas ela [a vaga] está lá reservada, pode ser que eu um dia acabe.

Foi repentino ou aconteceu aos poucos?

A mudança de sonho não foi exatamente repentina, eu toco há quatro anos e venho aumentando meu público. Repentino foi o reconhecimento. A televisão é muito forte nisso. Qualquer artista precisa de um meio para chegar às pessoas, a televisão continua sendo o mais forte deles, junto com a internet.Eles me convidaram e eu pensei ‘será que eu vou ter essa arrogância de não aceitar um convite?’ 

Você já é cantor, toca numa banda [a Bamba Social, grupo que une cerca de 15 músicos brasileiros e portugueses]. O que te motivou a aceitar o convite para o ‘The Voice Portugal’?

É engraçado. Eu gosto muito do [ator] Jim Carrey e ele tem um filme que se chama ‘Yes, Man’, e eu associei muito a isso. Eles me convidaram e eu pensei ‘será que eu vou ter essa arrogância de não aceitar um convite? Uma coisa que parece estar tão presente na minha vida, que é a música?’. Então eu aceitei e eles me deram liberdade para eu fazer o que eu quisesse até agora. Nas próximas fases, eles que escolheram a música e acabou saindo muito da minha zona de conforto… Mas eles me deixaram tocar Vinicius de Moraes na primeira prova, na televisão, isso foi fenomenal. Eu amo essa canção. Ela sempre me disse muito, porque eu comecei tocando nos bares.

Como é a relação com a Marisa Liz, sua mentora no ‘The Voice Portugal’?

Há uma relação de editora, sugestões de canções, basicamente.

O seu pai, Alexandre Nacarato, também é cantor e se apresenta em bares, restaurantes. Ele já deu algum conselho que você segue ou que foi útil na caminhada até agora?

Na verdade, o meu pai não tem muito esse papel de me aconselhar, mas houve uma história importante, para conjugar tudo isto. É um pouco pretensioso, mas, ok, é a história. Uma vez, ao soprar uma vela de aniversário, ele disse em voz alta: ‘eu quero que esse menino seja melhor do que eu’. Eu, naquela altura, já tocava um ‘Só Pra Contrariar’ no parque ou uma coisa assim (ri). E ele disse isso e isso me marcou muito. Como se fosse uma missão e uma das minhas grandes motivações. Mas conselheiro meu, sou eu mesmo.

Com pais brasileiros e parte da sua família vivendo no Brasil, o que o país representa para você, como artista e pessoa?

O Brasil representa 70% das minhas referências musicais e de cinema, representa muita saudade porque eu tenho lá a metade da minha família, minha madrinha, meu tio, que é uma figura paterna também, meio irmão de parte de pai, que mora em Uberlândia (MG)… então, algumas das pessoas que mais gosto nesta vida estão lá. O Brasil é muito forte para mim. Nunca tive vontade de morar lá porque tenho alguma consciência política do que se passa lá e não concordo com quase nada. Mas tenho vontade de ir constantemente.