Em depoimento, ex-secretário de Saúde do Rio assume recebimento de vantagens indevidas

Em depoimento, ex-secretário de Saúde do Rio assume recebimento de vantagens indevidas

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O ex-secretário estadual de Saúde do Rio de Janeiro, Sérgio Côrtes, reconheceu o recebimento de vantagens indevidas entre 2002 e 2006, quando foi diretor do Instituto Nacional de Traumatologia (Into).

Em depoimento prestado nesta quarta-feira (8) ao juiz federal Marcelo Bretas, ele admitiu ter recebido do empresário Miguel Iskin cerca de R$70 mil ao ano para despesas com viagens

. Os repasses teria continuado mesmo após Côrtes ter assumido a secretaria, em 2007, e só seriam encerrados em 2010. Por outro lado, segundo a Agência Brasil, ele negou que tenha recebido percentual sobre contratos assinados entre o Into e as empresas de Iskin. Presi desde abril, Sérgio Côrtes prestou depoimento no âmbito da Operação Fatura Exposta, um desdobramento da Operação Calicute, que por sua vez é a principal repercussão da Operação Lava Jato no Rio de Janeiro.

A Operação Fatura Exposta diz respeito à cobrança das propinas na área da saúde, esquema que teria a participação do ex-secretário. O esquema envolveria a aquisição de próteses e equipamentos de empresas representadas por Miguel Iskin, de quem o ex-secretário se diz amigo.

De acordo com o MPF, Côrtes teria direito a 2% dos contratos e Cabral 5%. No depoimento, Sérgio Côrtes revelou ainda que queria ser ministro da Saúde, mas não teve apoio de sua legenda, o PMDB. “Tive duas ou três reuniões com a presença da [ex-presidente] Dilma Rousseff e participei da elaboração de parte do programa de governo”, contou.

Sem sucesso na investida, ele planejava se candidatar a deputado federal em 2014, imaginando que, se vencesse as eleições, ficaria em boa posição para novamente pleitear o cargo. Para tanto, quando já estava fora do governo estadual, teria acertado com Iskin uma doação de U$ 3 milhões depositados em uma conta na Suíça. Parte dos recursos foi usada para despesas pessoais e o restante já foi entregue recentemente à Justiça.

Agência Brasil

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